sábado, 30 de junho de 2012

O pio de uma coruja. O vôo de uma coruja. A morte e a fé ao redor de mim, e eu mergulhado em um mar de sangue. Como são engraçados os cenários de um amor: ele brota de onde nada poderia supô-lo. De onde tudo seria quase que o segredo do princípio da incerteza de Heisenberg. Encontrá-lo alí seria como a encontrar a partícula de Deus. Mas nada mais me surpreende. Eu nunca entendi de física quântica. Eu nunca entendi o amor. Se eu o tive em minhas mãos, joguei-o fora. Se eu não o tive, fiz o mesmo. Mas agora é tarde para se redesenhar uma história que ficou pela metade. Eu sei disso. Foi-me dito isso.



Eu quero agora o vôo da coruja. O seu pio. Eu quero a noite de estrelas enluarada. Eu quero a cumplicidade dos grilos e do vento. E eu estarei nú, ao relento, vestido só de meias, à espera do amor que vai chegar para me amar. Na torre mais alta - de pedra bruta e tijolos crús - eu vou te amar. Envolto em sangue. Cercado de morte. Mas abençoado pela fé que me sustenta.

Só a meia noite do tempo vai dizer quem somos nós. 

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Alma de rio. Assim eu me defino, assim eu me sinto. Um rio caminheiro que busca o mar no fundo de sí e na jornada. As areias do tempo em minhas márgens dão vazão ao que sinto, ao que quero e ao que me conduz. As águas dos meus olhos enchem o leito e me levam feito uma folha de plátano que pousou sobre mim. E eu vou sereno em calma corrente e corredeira, ciente de que tudo o que me espera é um novo desafio. Eu não posso segurar em barragens as minhas ânsias. Eu vou. Me conduzindo. Sendo levado.




No sereno das madrugadas as estrelas beijam as faces do rio. A lua banha-se no espelho das águas e os silêncios se aquietam para escutar o cântigo das águas que deslizam para um novo destino. Um rio nunca é o mesmo quando o revemos. Um dia nunca é o mesmo quando acordamos. E a vida nunca é a mesma quando decidimos vivê-la. Com a alma de rio e um sonho de estrelas eu me entrego aos devaneios. Onde estarei? Para onde eu vou? Nem mesmo o destino é capaz de responder.

Eu sou o próprio fantasma das águas...

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Numa floresta longe de tudo vivia Oncélia, uma onça sem dentes que era amiga de Meg, uma tartaruga verde. Oncélia todos os dias comia da comida de Meg, que era farta e macia, e Meg nunca chegava atrasada no trabalho, visto que andava sempre nas costas de Oncélia. Naquela floresta o rei era um macaco, e os bois e os veados eram os pastores. As galinhas fabricavam sabão e os elefantes faziam todo o trabalho pesado. Mas o trabalho sujo não era feito pelos porcos. Tudo estava virado, e mesmo assim a vida prosseguia. Tudo era desproposital, mas a felicidade era uma escolha de cada um.



Os leões e os tigres faziam balle, e o jacaré era um dançarino de tango. As girafas jogavam golfe num descampado, e o sindicato dos pássaros decretou que ninguém de asas podia voar. No hospital uma velha traíra atendia num aquário, e eu, inquieto, observava a tudo, querendo por tudo em seu lugar. Mas o que estava errado? Nada. Eram os meus olhos que não viam o mundo ao meu redor. Todos nós temos problemas. Preconceitos. Vivemos numa roda viva e esquecemos de olhar para a floresta. Um dia caímos nela e não mais a reconhecemos.

A vida é esta floresta. Não procure explicações. Não tente concertar o que passou. Viva com ela.Viva Nela. Nada faz sentido nesta vida. Todos morremos. Só o que interessa é o que fazemos com amor. E eu te amo pelo que tu és. Por o que tu foi. E por o que serás.  

terça-feira, 26 de junho de 2012

São cinco horas da manhã. Eu não durmo. Minha mente fervilha em poesia, e eu vejo versos perdidos pelo chão. Meu coração quer juntar à todos, mas mal cabem nele os que eu ainda não escrevi. Estou em transformação. Minhas mãos ágeis batem no teclado, ansiosas para verem o que vem à frente. Estou esperançoso, forte como há muitos dias não estive. Eu estou de volta nos trilhos da minha alma, e minha vida verte em rimas compassadas e assertivas. Eu sou o poema. Eu sou a minha própria criação.

Um mundo novo se vislumbra para mim. A fé e as palavras me invadem de arrebalde, e uma fogueira abre um clarão na minha alma. Eu consigo ver a luz, e a viagem que iniciei está apenas começando. Eu estou me descobrindo. Me reescrevendo de uma forma louca e enluarada. Os meus versos estão vivos e pedem passagem ao papel e à caneta, e eu me transpasso para além das formas da poesia. Em cada rima eu trago um sol uníssono. E uma estrela em cada mão. Um novo destino se forma dentro dos meus olhos, e eu ganho asas na direção do céu.
Não me procurem mais onde eu estava. Alí só encontrarão a minha carcaça. Eu estou livre. Forte Outra vez. Estou Transbordo de uma força vital que não sei qual. Eu estou vivo. Reconstruído.

Não me procurem mais onde eu estava. Eu sou o poema. Eu sou a minha mais nova criação.



domingo, 24 de junho de 2012

É madrugada. Eu penso na vida como um ralo. Observo o ralo enquanto tomo o meu banho e me dou conta disso. Tudo escorre cano abaixo. O tempo só derruba as árvores da floresta da alma, uma a uma, e caminhamos para o rumo da extinção. Meu coração nesta jornada é um viajante solitário. Perdido. Eu já tentei voltar, mas os caminhos da volta foram diferentes aos da partida. E apenas agora, ao olhar para trás, é que eu me dei conta disso. Eu já quis voltar. Mas a lei do silêncio a qual me foi imposta determina que tudo o que se foi não volta mais. E só eu sei o que perdi.

Eu olho para a vida como um ralo. A gente enche a sua piscina de sonhos, e ela, dia por dia, vai nos tomando de volta tudo o que nos dá. O destino nunca é igual para todos, e o que é bom para alguns talvez já não o seja para outros. Então eu não vou mais olhar para trás. Eu não irei mais tentar voltar. Eu vou buscar o que o futuro me reserva: uma nova e imensa constelação de estrelas onde eu possa reescrever a minha história. Longe de tudo. Livre de tudo. Refeito em mim e reconstruído na alma. Pois eu estive em ruínas, e poucos foram os que perceberam, entenderam e souberam disso.  

E para aqueles que me julgam sem saber tudo o que sei e o que senti, o que passei e como estou, então eu lhes digo: espelho. Olhe nos olhos o espelho da tua própria alma, e entenderás que a estrada é uma chaga na poesia dos caminhos...       

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Eu ontem acordei de um sonho agitado. Um sonho expressivo. Um sonho de pecado. Eu sonhei com uma igreja. Eu sou católico e frequento a igreja de tempos em tempos, muito embora menos do que necessito. Os sinos batiam, e eu estava lá. Encantado. Enfeitiçado. Alguém me chamava pelo nome, mas eu não sabia onde. Era de dentro da igreja. Era da sacristia. E eu fui conduzido como que fisgado pela voz. Uma voz de mulher, sedutora, inebriante e misteriosamente doce. Eu não sabia quem era.

Quando lá cheguei, lá estava ela... Uma mulher linda, a quem eu nunca vira antes. Com uns olhos azuis que cintilavam, e com uma auréola negra no olhar. Lápis eu pensei. Eu sempre gostei de mulheres que se pintam. E ela estava vestida de vermelho, mas poucas eram as suas roupas. Eu logo percebí que não se tratava de uma freira. Nem de uma noviça. E ela me ofereçeu a hóstia consagrada. Mas não com as mãos, com a boca. E eu comunguei e confessei os meus pecados em seus lábios. E não satisfeita ela depois me ofereçeu o vinho. Mas não o vinho na taça da aliança, não. Ela o derramou em suas pernas. E aquela visão estonteante do vermelho de sua saía e do vinho escorrendo foi algo próximo ao que entendo de um milagre. E eu beijei-a dos pés a virilha, da virilha até o seu ventre, do ventre ao seu sexo. E então ela deitou-se sobre a mesa altar de celebrações e nos amamos alí, sem mais pecados. E só então eu acordei.

E assim como o meu sonho tem sido a minha vida nestes dias. Uma grande e imensa loucura...



quinta-feira, 21 de junho de 2012

As paixões nos arrebatam. Incendeiam. Enlouquecem. Na vida de um homem são elas que nos conduzem, que inspiram loucuras e promovem as transformações. Quem tem o coração aceso compreende o fogo desse sentimento. Um fogo que queima mesmo em lenha verde. Mas há uma forma de paixão que é desmedida. Que é indelével. Atemporal. E que mesmo na derrota só se fortaleçe. Assim é a paixão do torcedor pelo seu time. Não importa a derrota. Importa o amor. A derrota é quase sempre uma consequência, pois neste tipo de paixão mais se perde que se ganha. E mesmo assim o sentimento de quem ama só aumenta.


Avante Tricolor! O teu pavilhão vai estar hasteado no dia do amanhã, tremulando ao vento, sustentando toda a tua grandeza. A dor da derrota vai se apagar com a próxima vitória, e ela virá tão rápida e tão ligeira que nem iremos perceber, pois os olhos de quem ama sempre carregam consigo a esperança. E é por isso que o futebol é apaixonante. Vencer sempre seria tão ruim quanto perder. E as derrotas nos ensinam a valorizar as grandes vitórias da vida.

Avante Tricolor! Uma noite é o tempo que tens para curar as tuas feridas. As tuas batalhas recomeçam com o novo dia. Avante Tricolor!